Whisky

Whisky, produção uruguaia que fez sucesso no circuito dos festivais internacionais e nacionais – ganhou em Gramado os kikitos de melhor filme, segundo o júri e o público, e melhor atriz (Mirella Pascual) – é um retrato singelo de vidas sem graça.

O título se refere a palavra que os fotógrafos pedem para as pessoas dizerem para saírem sorridentes na foto. A falsidade do ato tem tudo a ver com a história.

O comerciante judeu Jacobo comanda uma pequena fábrica de meias e faz tudo sempre igual, todos os dias, assim como sua eficiente gerente Marta. Os dois acordam cedo, vão trabalhar e depois voltam para suas casas curtir a solidão. Mas esta rotina insossa será abalada pela visita do irmão de Jacabo, Herman, que vive no Brasil há décadas e volta para colocar a lápide no túmulo da mãe. Jacobo, que compete com seu irmão nos aspectos emocional e profissional, convence Marta a se passar por sua mulher enquanto Herman estiver lá.

O filme não tem muitos diálogos. São as imagens que revelam o que os personagens estão sentindo. Na cena do karaokê, em que o desinibido Herman resolve exibir seus dotes artísticos, a reação do falso casal na mesa assistindo a Herman cantar é exemplar neste sentido.

O tom do filme é melancólico, assim como o personagem principal, Jacobo, e há momentos que beiram a monotonia, mas a convivência forçada entre os irmãos, distantes entre si, e entre o patrão e a empregada, que não possuem intimidade alguma, tornam o filme bem interessante.

Ficha Técnica: Whisky
Direção: Pablo Stoll e Juan Pablo Rebella
Elenco: Andrés Pazos, Mirella Pascual, Jorge Bolani, Daniel Hendler,
Ana Katz.
Nacionalidade: Uruguai, 2004
Duração: 94 minutos
Gênero: Drama
Classificação: 12 anos

 

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Raquel Sá - 2004